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12/2001 -
Mário Nagano, PC World
Apesar das aparências, uma das coisas mais óbvias que
qualquer usuário leigo deveria saber é que Linux não é
DOS e o KDE não é Windows. Logo, antes de entrar de cabeça
nesse novo e desconhecido mundo, saiba mais sobre o sistema
e veja se ele realmente poderá responder às suas
expectativas.
Pergunta:
Posso instalar Linux no meu PC?
Resposta: Em geral, sim,
mas pode ser que um componente ou outro não funcione
corretamente, exigindo algum trabalho extra ou até mesmo a
substituição de alguma parte do hardware.
Tradicionalmente, a compatibilidade de hardware sempre foi
um dos pontos mais delicados do Linux, devido às próprias
características do modelo de código aberto e da falta de
apoio dos fabricantes na divulgação de informações e no
fornecimento de drivers específicos para o sistema. Mesmo
nos dias de hoje, se após o processo de instalação, algum
dos componentes do PC não for identificado corretamente,
esteja preparado para correr atrás de um driver compatível
na Web.
Entretanto, esse cenário tem melhorado nos últimos tempos,
à medida que os procedimentos de instalação ficam mais
amigáveis e os fabricantes começam a trabalhar em conjunto
com a comunidade de código aberto para o fornecer drivers,
principalmente nas áreas de aceleradoras gráficas e
impressoras.
Um componente especialmente complicado é o modem. Apesar da
maioria dos modelos externos e alguns internos funcionarem
perfeitamente, os problemas começam com os chamados Winmodems,
um modelo muito popular, que trabalha como um modem
convencional, mas depende muito da CPU para processar várias
tarefas. Essa abordagem barateia o custo do componente, porém
pode gerar conflitos com o Linux, já que, como o próprio
nome sugere, foi projetado para funcionar exclusivamente sob
Windows. Somente nos últimos anos é que a comunidade de código
aberto teve acesso à tecnologia, de modo que alguns drivers
para vários chip sets já podem ser encontrados na Web.
Pergunta: Como posso saber se o Linux funciona no
meu hardware atual?
Resposta: O melhor
caminho é procurar os sites das várias distribuições de
Linux, que mantêm longas listas de compatibilidade on-line.
No caso de modems, uma boa referência é o site Winmodems
Are Not Modems (www.idir.net/~gromitkc/winmodem.html),
uma lista mantida por Rob Clark, onde o usuário pode
verificar se seu modem é ou não uma potencial fonte de dor
de cabeça para o Linux. No caso de impressoras, um endereço
interessante é o The Printing HowTo Support Database (www.linuxprinting.org/printer_list.cgi),
mantido por Grant Taylor. Se o usuário deseja verificar se
é possível instalar Linux em seu portátil, uma referência
é o site Linux on Laptops (www.linux-laptop.net)
mantido por Kenneth E. Harker.
Pergunta: O Linux pode coexistir com o Windows no
mesmo PC?
Resposta: Sim, desde que
o usuário utilize apenas uma partição de seu disco rígido
para o Windows. O Linux necessita de, no mínimo, duas partições
de disco e algo entre 300 MB a 1 GB para uma instalação
completa. Pacotes como o da Caldera é capaz de reorganizar
o disco automaticamente, de modo a reparticionar e reservar
espaço para o Linux, ao mesmo tempo em que preserva o
Windows em uma partição específica. Em outros casos, é
necessário o uso de um utilitário como o Partition Magic,
da Power Quest, para criar as novas partições sem perder o
Windows.
Ao iniciar o PC, a maioria das distribuições utiliza um
utilitário como o LILO (o Linux Loader) que permite
escolher por qual sistema operacional se deseja dar boot.
Pergunta: Posso acessar meus arquivos Windows sob
o Linux?
Resposta: Sim. O Linux
é compatível com o sistema de arquivos FAT 16, FAT 32 e
NTFS usados pelas várias versões do Windows. Desse modo,
é capaz de enxergar arquivos do Windows no disco rígido.
Mas depois que o arquivo é lido e transferido para o lado
do Linux, é possível fazer algo com ele sob o novo
sistema? Isso vai depender do tipo de arquivo selecionado.
Como a Microsoft é reticente quanto ao lançamento de um
Word para Linux, o usuário terá que confiar em aplicativos
que prometem compatibilidade com os arquivos do Word. Entre
os aplicativos mais promissores, estão o Applixware Office
5.0 e o StarOffice da Sun Microsystems, que oferecem vários
níveis de compatibilidade com os arquivos da Microsoft.
Entretanto, planilhas mais complexas como as do Excel ainda
podem apresentar alguns problemas quando abertos no
StarOffice.
Pergunta: Ouvi dizer que, ao contrário da
Microsoft, o Linux não possui uma interface gráfica para o
usuário (GUI) padronizada. Isso é verdade?
Resposta: Sim, mas não
se assuste. O estilo da interface gráfica do Windows é
determinado pelo próprio sistema: o Windows determina como
será a aparência dos menus, barras de rolagem, caixas de
diálogo, etc, fato que não ocorre com o Linux. Essa tarefa
é realizada, no caso do Linux, pelo chamado XFree86, uma
arquitetura GUI que acompanha todas as distribuições de
Linux, mas que não dita regras de como a interface gráfica
deve se parecer. Essa missão fica por conta de outro pacote
de software chamado Window Manager, que realmente dará a
aparência final do ambiente gráfico apresentado para o usuário.
Entre as interfaces gráficas para computadores de mesa mais
populares para o Linux, estão o KDE e o GNOME. Apesar de
algumas diferenças de projeto, ambos oferecem uma barra de
tarefas, um lançador de aplicações descaradamente
parecido com o botão Iniciar do Windows e vários applets
(bloco de notas, calculadora, CD player, etc). As três
distribuições analisadas pelo PC World Test Center vieram
com o KDE (traduzido para o português) como a interface
padrão, apesar de a versão da Tech Informática oferecer
outras opções. O Linux da Red Hat oferece o GNOME como
padrão. Em termos práticos, as duas interfaces cumprem a
tarefa básica de apresentar um ambiente de trabalho limpo e
bastante intuitivo, especialmente para aqueles já
habituados com o Windows 9x/Me e 2000. Como tanto o KDE
quanto o GNOME são sistemas de código aberto, vários
grupos de desenvolvimento estão esforçando-se para criar
aplicativos de escritório que, no futuro, possam fazer
parte da própria interface. Isso pode parecer complicado,
mas tudo isso ocorre por trás da interface gráfica, então
o usuário, ao ligar seu PC, terá como resultado final um
ambiente bastante familiar e relativamente amigável.
Pergunta: Quantas aplicações de renome estão
disponíveis para o Linux?
Resposta: Mais do que o
usuário poderia esperar, mas provavelmente menos do que
gostaria. Por motivos óbvios, o pacote de aplicações e o
navegador Web mais popular do mercado — o Microsoft Office
para Windows e o Internet Explorer — não estão disponíveis
para o Linux. A Microsoft também encontrou um jeito para
mandar literalmente para o limbo produtos promissores para a
estratégia do Linux em desktops como o WordPerfect Office
Suite, deixando os usuários literalmente à mercê de
produtos que oferecem apenas compatibilidade com os arquivos
do Office. Nos casos em que as aplicações mais populares não
estão disponíveis, a comunidade oferece vários soluções
alternativas que procuram realizar o mesmo trabalho. Desse
modo, mesmo que a Adobe não ofereça uma versão do
Photoshop para Linux, existe uma excelente opção conhecida
como The Gimp. Esse pacote gráfico possui muitos recursos
semelhantes aos usados no Photoshop, além de alguns truques
extras que o programa da Adobe ainda não conhece. Além
disso, existem centenas de aplicações Linux — apesar de
que muitos delas serem altamente especializadas (como
sistemas de modelagem em 3D) — ou voltadas para servidores
(como gerenciadores de banco de dados bastante confiáveis).
Um segmento em que o Linux realmente brilha é o de
aplicativos para Internet: além do clássico Netscape
Communicator (idêntico à versão do Windows), existem
dezenas de software de correio eletrônico e grupos de notícias,
e ferramentas FTP, muitos deles funcionando bem melhor que
seus equivalentes Windows.
Pergunta: Ah, sim... e o mercado de jogos?
Resposta: Estão a
caminho. O desenvolvimento de jogos está indo melhor que o
de aplicativos, característica que pode parecer estranha à
primeira vista, mas pode ser explicada pelo fato de a
comunidade de usuários de Linux estar apinhado de tecnófilos
e entusiastas de computador — também conhecidos como
geeks —, um público que adora jogos de computador.
No centro desse movimento está a Loki Entertainment
Software (www.lokigames.com),
uma empresa que porta vários títulos populares para a
plataforma Linux. Entre os já lançados estão Civilization:
Call to Power, Myth II, Railroad Tycoon II, Heretic II,
Heavy Metal: F.A.K.K.2, Sim City 3000 e Quake III: Arena
que, por sinal, funciona melhor que a versão para Windows.
Outra alternativa para jogar no Linux é com o uso do Wine,
uma tecnologia que permite executar programas para Windows
no Linux, porém com resultados variados.
Pergunta: Se eu instalar o Linux, o que posso
esperar em termos de curva de aprendizado?
Resposta: Isso depende
do que o usuário deseja fazer como o Linux. O processo de
instalação já foi um procedimento realmente complexo para
os não iniciados no culto ao Linux, mas melhorou
dramaticamente nas versões mais recentes analisadas pelo PC
World Test Center. Para a execução de tarefas simples
como criar documentos, ler e enviar e-mails ou navegar na
Web, a curva de aprendizado é relativamente suave devido ás
semelhanças da interface gráfica. Entretanto, as coisas
podem ficar complicadas à medida que se tornam mais técnicas,
como alterar a configuração do hardware, que podem causar
algumas dores de cabeça. A casa pode cair de vez se o usuário
tentar otimizar o desempenho e/ou o visual de seu sistema,
principalmente se não estiver ciente do que está fazendo.
Neste último caso, não hesite em utilizar os servidos de
consultoria de uma pessoa ou empresa especializada em Linux,
já que seus vários anos de experiência em Windows terão
pouca utilidade nessa situação.
Veja também: LINUX - opções
do mercado brasileiro | LINUX
- a caminho dos PCs de mesa
Linux em português: www.caldera.com.br
| www.conectiva.com.br
| www.techlinux.com.br |